jeudi 17 mai 2012

Πάντα πίνει: Tudo bebe


Πάντα πίνει

Diversas traduções da ode anacreôntica Πάντα πίνει ("Tudo bebe"), do original em grego, passando por versões em português, francês, inglês, espanhol e alemão.

Devemos fazer um primeiro esclarecimento: a diferença entre os textos (e traduções) consultados com relação ao termo αύρας e outro de sentido diverso, que aparece em seu lugar, ἀναύρους. O significado do primeiro é “brisa” (e está declinado no caso acusativo plural), enquanto o do segundo é “rio”, ou antes, é o nome próprio de um rio da Tessália (estando declinado também no plural do acusativo). De acordo com a preferência do tradutor, adota-se um ou outro termo, embora para a tradução mais literal possível escolheremos o termo “correntes”, que pode ser interpretado tanto como “correntes de ar”, quanto no sentido de “riachos”.



ἡ γῆ μέλαινα πίνει,
(A Terra negra bebe)
Πίνει δὲ δένδρε’ αὐτήν
(E bebem as árvores dela [da Terra])

Πίνει θάλασσα δ’αὔρας,
(Bebe o oceano das correntes)
Ὁ δ’ἤλιος θάλασσαν,
(E o sol [bebe] do oceano)
Τὸν δ’ἤλιον σελήνη.
(E do sol [bebe] a lua)
Τί μοι μάχεσθ’ ἑτῖροι,
(Por que combateis a mim, camarada,)
Καὐτῶ θέλοντι πίνειν;
(Que quero, também eu próprio, beber?)


Adotando o verso hexassílabo (ou “heroico quebrado”) como correspondência à ligeireza do original escrito por Anacreonte (563-478 a.C.), e tentando construir sonoridades a partir do uso (e abuso) de aliterações, além de rimas imperfeitas (ou “toantes”), ainda que o idioma grego não fizesse uso de tal recurso, chegamos à seguinte solução:

A Terra negra bebe
& as ervas bebem dela.
O Oceano bebe aos rios,
& o Sol que sorve o Oceano
dissolve-se na Noite.

Se tudo bebe, amigos,
por que também não posso
eu próprio dar um gole?



Vale ainda mencionar, a título de curiosidade, as diferentes traduções desta canção anacreôntica.

 
Ronsard (1524-1585)

La terre les eaux va boivant,
L’arbre la boit par sa racine,
la mer salée boit le vent,
et le soleil boit la marine. 



Comentadores da obra de Shakespeare citam esta tradução de Ronsard como possível fonte de inspiração para os seguintes versos do “bardo” inglês:

“The sun’s a thief, and with his great attraction
Robs the vaste sea; the moon’s an arrant thief
And her pale fire she snatches from the sun;
The sea’s a thief, whose liquid surge resolves
The moon into salt tears; the earth’s a thief
That feeds and breeds by a composture stolen
From general excrement ‑ each thing’s a thief.”



Esteban Manuel de Villegas (1589-1699)

Bebe la tierra fértil
y a la tierra las plantas,
las aguas a los vientos,
los soles a las aguas,
y a los soles las lunas
y las estrellas claras.
¿Pues por qué la bebida
me vedáis, camaradas?



Charles Cotton (1630-1687)
Paraphras'd from Anacreon

The Earth with swallowing drunken showers
Reels a perpetual round,
And with their Healths the Trees and Flowers
Again drink up the Ground.

The Sea, of Liquor spuing full,
The ambient Air doth sup,
And thirsty Phoebus at a pull,
Quaffs off the Ocean's cup.

When stagg'ring to a resting place,
His bus'ness being done,
The Moon, with her pale platters face,
Comes and drinks up the Sun.

Since Elements and Planets then
Drinks an eternal round,
'Tis much more proper sure for men
Have better Liquor found.
Why may not I then, tell me pray,
Drink and be drunk as well as they?



Eduard Mörike (1804-1875)

Die schwarze Erde trinket,
So trinken sie die Bäume,
Es trinkt das Meer die Ströme,
Die Sonne trinkt die Meere,
Der Mond sogar die Sonne,
Was wollt ihr doch, oh Freunde,
Das Trinken mir verbieten? 



Henry M. Tyler (1800-1885)

The dark earth drinks;
and trees drink her.
The sea drinks the streams;
the Sun, the sea; 
and the moon, the sun.
Why fight with me, mates, 
with my wanting also to drink?



Leconte de Lisle (1818-1894)

La noire terre boit la pluie, 
et les arbres boivent la terre,
et Hèlios boit la mer,
et Sélèné boit Hèlios.

Pourquoi donc, mes amis, 
me défendez-vous de boire ?






jeudi 26 avril 2012

Un poema de amor



"Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos."

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como esta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche esta estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque este sea el ultimo dolor que ella me causa,
y estos sean los ultimos versos que yo le escribo."





*

mercredi 4 avril 2012

vainrité


certaines pensent que la promesse du bonheur vaut mieux que le bonheur lui-même...

qu'est-ce que c'est grossière la sottise humaine!


*

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vendredi 30 mars 2012

m'éde vida


minha vida mede-se em versos
23.000 versos verti
(verdes ou maduros)
nos 23 outanos
de amores insanos
que em mim escrevivi
(somente o tempo mostrará os frutos
dos versos que vulguei ao vento,
ou antes, que ventei ao vulgo...
versos
re-
versos

).




*

vendredi 23 mars 2012

jackHAI-KAIrouacs (eng./ fr./ port.)


a beleza dos haikais de Jack Kerouac, com sua musicalidade aliterativa, chego mesmo ao fundo da alma. ainda que simples, princípio próprio do nipônico 5-7-5, há qualquer coisa que aspira à eternidade nestes versos...

a big fat flake
of snow
falling all alone



un dodu flocon
de neige
Tombe tout seul



um floco pomposo
de neve
desceliza sozinho



mas mesmo tamanha beleza - fat-flake-falls-all-alone - não vale a dimensão nostálgica (ainda que mais simples) deste outro que se segue...


The days go -
they can't stay -
I don't realize



Les jours passent -
sans pouvoir rester -
à mon insu



Os dias passam -
& não esperam -
Sequer me dou conta





a espera dos dias que passam, sem que possam ficar... espera-se sempre, mas sem saber o que esperar:



o grande nome da Beat Generation, mundialmente conhecido pelo "On the road", mostra em sua poesia "orientalista" (veja-se a influência do Tao-te king e dos Analectos de Confúcio) um amplo domínio da técnica... ainda que em plenas explosões do espírito


The low yellow
moon above the
Quiet lamplit house



Jaune et basse
la lune au-dessus de la
Maison calme éclairée d'une lampe



Reles e amarela
a lua além da
Calma casa alampeada





para os que se interessaram pelo trabalho poético do escritor americano (e que têm alguma anglofluência), aconselho o seguinte link, em que o próprio Kerouac faz a leitura de seus hai-kais:



e para os que quiserem ir ainda mais longe, resta um último conselho - da pena do mesmo Dharma Bum #

the sound of silence
is all the instruction
you'll get



le son du silence
est toute l'instruction
que tu recevras



o som do silêncio
é toda a instrução
que 'cê terá



*

todos os hai-kais em inglês e francês foram retirados do livro "JACK KEROUAC: Itinéraire dans l'errance", de Bertrand Agostini et Christiane Pajotin. as traduções para o português ficaram por conta deste que vos fala...


*

jeudi 22 mars 2012

Amare tirante



Da terra em que saí
eu soube o canto

Lá cantava e aqui não canto.


Da terra que parti

escuto ainda o vento
da saudade e me lamento.


Pois na terra pr'onde vim
sem estar pronto

a vírgula do texto fez-se em ponto.


E nesta terra pr'onde vim

nasceu em mim um outro canto
que canto agora no meu pranto.


É que da terra em que nasci,
que (me) deu sustento

memórias que não tive agora invento.


Pois só na terra em que não sou,
ainda agora sigo sendo,
sem ser visto e sempre vendo
nos olhos do que penso o mesmo sol.



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dimanche 11 mars 2012

Exposition Marc Riboud


Salut, mes lecteurs!

Ce soir je vous parlerai du rendez-vous de mes classes de français où nous sommes allées à une exposition de photographie qui se passe à ce moment à BH. Il s'agit de l'exposition du photographe français Marc Riboud. À mon avis, le contact avec la langue qu'on apprend ne doit pas se limiter à celui de la classe de cours. Ce contact doit être permanent et par rapport à chaque aspect de la vie. C'est pour cela que j'incentive mes élèves à regarder des films, à aller aux expostions françaises, à lire, etc...

Mais on arrête de tchatche et on passe le mot aux élèves elles-mêmes...



Marlene de Moura Teixeira:

"L’ exposition de Marc Riboud, en cours, au Palais des Arts, à Belo Horizonte, est composée par 51 photos et des montages qui vont de 1953 jusqu'à 2009. Ces photos ont été prises par le photografe, ingénieur, écrivain et journaliste français, Marc Riboud.

Des contrastes, des sentiments, des diversités et plusieurs plans différents sont concentrés et enregistrées par Riboud qui dépeint les grands conflits de l'humanité. Il est devenu connu sous la réputaion d'être un photographe pacifiste.

À une époque où la société semble être habituée aux inégalités, certaines images nécessitent des observations minutieuses. Une fois que l'on l'ait fait, une certaine jouissance est éveillé parmi les spectateurs, en les amenant à partager la sensibilité du regard que le photographe capte du monde.

Riboud montre que la popularisation de la photographie découlant des facilités offertes par le commerce n'était pas en mesure de dépasser l'art de la photographie."




Alice Velloso:

"Le dimanche, le 4 mars 2012, nous avons eu un rendez-vous français au Palais des Arts. Notre jeune professeur, avec son béret traditionnel, nous attendait devant le café.

Nous, les quatre étudiantes autour de lui, nous nous sommes rendues à la magie de la langue française. Même si j'ai éprouvé quelques difficultés pour parler, j'ai voyagé par les paysages qui se posaient devant nos yeux.

Les images paraissaient d’abord incompréhensibles. Une femme s’est approchée... 'Tu ne remarques rien de spécial?', a-t-elle demandé en portugais, en dérangeant un peu notre cours. Mais le professeur ne se fâchait jamais.

Après la classe nous avons bu encore un café, une bière... Et il était, bien sûr!, un rendez-vous superbe!"




Parce que comme Van Gogh disait:

"Il faut commencer par éprouver ce qu'on veut exprimer."


*

Pour ceux qui veulent connaître le travail de Marc Riboud, voici le lien éléctronique du Palais des Arts: